sábado, 22 de março de 2008

Loa



estamos presos ao nosso cruel futuro a prazo,
vivemos entediados ao lado de uma súbita ignorância;
juntos formamos essa cadeia extrema com arrogância
onde somos frutos de um sonoro acaso

inexplicavelmente, o homem é um ser exato
somado em uma tempestade vazia
importa-se com a menor parte: a fria
despertando um ensurdecedor grito de não grato!

a humanidade sendo regressivamente desumana
completa o elo de infelizes desalmados em entranhas
encarecendo e corrompendo a vida de pessoas estranhas
indo ao encontro de uma sociedade profana

entristecidos, andamos cada vez mais: sorrindo!
vivendo exemplarmente como feras em rebeliões;
inatingíveis, somos atingidos por humanas munições
destruímos explicações a este lado e continuamos fugindo

engrandecer diminui nossos anseios
por isso, aumentamos nossa fúria contemporânea
traduzindo-a em um espetáculo de dimensão espontânea
o que nos permite retroceder aos primórdios

exagerando, tornamos amantes exagerados:
fiéis amores ao mundo de traição
pleiteando pessoas e costumes à nossa invasão
assim, corações desprotegidos são bombardeados

e, desacreditando em nossas forças e obras
passamos a não acreditar no futuro,
vindo em mente o terrível sangue impuro:
de mães, crimes e risos de cobras...

Nenhum comentário: